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A newsletter sem título do O Vício é um sucesso absoluto. A primeira edição teve métricas incríveis, e a segunda aumentou o número de visualizações em 39%. Os índices de retenção e tempo de leitura são os maiores de todo o portal — vocês estão realmente lendo o conteúdo do começo ao fim! Graças a vocês, o projeto passou da fase de testes.
Para celebrar e agradecer por todo esse apoio, esta edição trará revelações exclusivas e especiais sobre os próximos dois filmes de Zach Cregger: The Flood e Resident Evil. Mais do que isso, vamos trocar uma ideia também sobre quem é o verdadeiro vilão de Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026) .
Esta é mais uma edição editada e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). Muito obrigado pelo apoio até agora. Há jornalistas renomados, trabalhando em plataformas bem maiores, que não são tão lidos quanto nós fomos nas duas primeiras semanas deste projeto. Sinto a mim e ao O Vício abençoados pela sua atenção.
Ainda nesta edição, trazemos detalhes sobre o novo filme de Petrus Cariry com Matheus Nachtergaele, uma curiosidade sobre a Escócia (que vai enfrentar o Brasil na Copa do Mundo), uma análise sobre a bilheteria de Supergirl, a confirmação da estreia do filme sobre Rocky no Brasil, uma resposta definitiva sobre se o país vai mudar o dia padrão para a estreia de filmes nos cinemas, e a dica cultural da semana — que é, simplesmente, o maior filme de jornalismo investigativo que Hollywood já produziu. Aproveitem o conteúdo:
The Flood: O que somos sem nossas escolhas e memórias?


No Nordeste, existe um ditado sobre quem descobre as coisas antes de todo mundo que é mais ou menos assim: “Antes de você chegar com o caju, eu já estava comendo a castanha assada”. Eu me sinto exatamente assim sempre que sai alguma notícia sobre os filmes de Zach Cregger. Modéstia à parte, sou uma excelente fonte quando o assunto é o trabalho desse rapaz.
Há um grande mistério em torno de The Flood, longa que ele vai produzir logo após entregar o reboot de Resident Evil. Mistério para os outros, claro, porque não é o caso para mim e nem para os meus queridos leitores, que vão ganhar de presente alguns detalhes inéditos sobre a trama. E fiquem tranquilos: para não estragar a experiência de ninguém, prometo não ir muito além da sinopse.
The Flood é um longa de ficção científica com suspense psicológico e horror existencial. A trama acompanha a tripulação de uma nave exploratória que se depara com um artefato alienígena capaz de fraturar e manipular a própria linha do tempo, criando ramificações, duplicatas e paradoxos temporais assustadores.
Ao contrário do que outros insiders sugeriram, o longa não tem absolutamente nada a ver com enchentes. E isso era fácil de prever. Os títulos dos filmes originais de Cregger geralmente têm um significado indireto com a trama. Ele não faria um filme sobre desastre natural que se chamasse The Flood (A Enchente). Não é do perfil do cineasta.
A minha interpretação é que o título se refere ao “dilúvio” de linhas do tempo e iterações que se desencadeia na trama. As realidades duplicadas literalmente “inundam” o espaço físico e a mente dos sobreviventes, ameaçando afogar a humanidade em um colapso temporal inevitável.
Detalhando: O ponto de partida é uma missão de sete anos no espaço profundo. Por lá, a tripulação da nave Spiritus Mundi detecta um sinal não natural vindo de um planeta desconhecido. Ao investigarem, descobrem um gigantesco artefato alienígena que emite distorções temporais. Rapidamente, eles se veem presos em um loop onde múltiplas versões e iterações passadas e futuras de si mesmos começam a surgir e coexistir dentro da própria nave. Enquanto algumas duplicatas enlouquecidas tentam matá-los, a tripulação sobrevivente precisa encontrar uma maneira de redefinir o tempo através do núcleo do artefato antes que todas as realidades colapsem de forma catastrófica.
Certo, você não precisa saber mais detalhes da trama do que isso. Mas acho válido destacar que interpreto esta como uma história que é, em parte, sobre trauma e, em parte, sobre aceitar que tudo o que temos de concreto é o momento presente. Na maior parte das vezes, as duplicatas da tripulação aparecem machucadas, como se fossem memórias dolorosas voltando para perturbar uma mente confusa.
Há ainda um arco forte de culpa e remorso com a personagem principal — uma mulher na casa dos 40 anos, chamada Capitã Elena Voss —, que funciona como um espelho de nós mesmos confrontando as vidas que deixamos para trás por conta de nossas próprias ambições. Sabe aquele pensamento do “E se?“.
Eu tenho trabalhado em uma história há alguns anos que toca exatamente nesse ponto, porque esse é um pensamento que me persegue desde que ouvi Jô Soares dizer que “escolher é perder sempre“. Alan Moore, inclusive, escreveu uma história excelente sobre o tema: Um Pequeno Assassinato, que saiu no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim.
The Flood é uma história muito fresca e original, que questiona o que somos sem nossas memórias, sejam elas boas ou ruins. Mas se você ainda precisar de pontos de referência para ter uma noção melhor do que vem por aí, pense em uma mistura de Alien, O Exterminador do Futuro, Looper e Interestelar, tudo isso com o tempero da escrita ácida e cirúrgica de Zach Cregger.
A ficção científica de Cregger chegará aos cinemas em 10 de agosto de 2028. Após uma confusão com a Netflix, o projeto foi repassado para a Warner recentemente.
Resident Evil: Como no jogo


Zach Cregger já falou praticamente tudo o que podia sobre o novo filme de Resident Evil, mas eu gostaria de deixar os meus dois centavos sobre o projeto por aqui também. Vai ser um filmaço! Eu sei qual é a história do minuto um até o final, mas não vou detalhar tudo aqui. O que você precisa saber é o básico que já foi divulgado: Bryan é um entregador de material hospitalar que aceita uma encomenda urgente para Raccoon City, bem na noite em que um surto zumbi toma conta da cidade. O problema? Nem ele, nem ninguém de fora de Raccoon faz ideia de que a cidade está em colapso.
Basicamente, é como se um “zé mané” qualquer fosse jogado dentro do universo da franquia. Toda a estrutura da trama se baseia nas atividades de exploração de mapa, algo muito característico dos jogos. E falo literalmente. Bryan chega a parar para abrir mapas e checar para onde tem que ir. Ele atravessa um matagal/fazenda a pé, passa por um túnel macabro e chega finalmente a Raccoon City para fazer a entrega no hospital. Tudo isso sem saber atirar direito e sem ter a menor noção de sobrevivência. É uma história ao mesmo tempo engraçada e tensa, porque todas as estatísticas estão contra esse coitado — que poderia muito bem ser qualquer um de nós, sem preparo, caindo desavisado naquela realidade.
O reboot conta com alguns elementos clássicos menores da franquia, como a Umbrella Corporation, mas não traz nenhum personagem icônico, não adapta nenhum jogo específico e nem faz parte do cânone oficial. Isso vai na contramão do que dizem algumas matérias internacionais, que interpretaram mal uma declaração de Cregger sobre a trama se passar entre Resident Evil 2 e 3. O diretor disse apenas que pensou na história como se ela estivesse ambientada nessa época, mas não afirmou que ela de fato se passa ali — até porque ele não poderia incluir o filme na cronologia nem se quisesse, já que a Capcom impede contratualmente que produções em live-action façam parte do cânone dos jogos. Enfim, a trama se passa nos dias atuais. Tem smartphone e tudo.
Esta é uma história original que emula de ponta a ponta a experiência genuína de um jogo clássico da franquia. Pense em um game inédito focado em um novo personagem. É basicamente isso. E acho essa uma abordagem muito respeitosa e certeira. É 100% Resident Evil. Quem reclama de que estão só usando o nome da marca para vender uma história de terror qualquer simplesmente não sabe do que está falando.
O longa traz toda a essência que faz de Resident Evil o que ele é, sem mexer em nada do que é sagrado para os fãs. A história de Leon, Jill, Claire e companhia continua lá, intacta. É uma relação ganha-ganha. Uma trama que segue seu próprio caminho, mas ainda proporciona uma experiência extremamente familiar. Assista de coração aberto quando estrear em 17 de setembro.
Entre o amor e o ódio


Um dos meus diretores favoritos, Petrus Cariry, encerrou as filmagens de seu novo longa, estrelado por um dos meus atores favoritos, Matheus Nachtergaele. A produção foi rodada na serra de Guaramiranga, no Ceará.
Entre os Dias é um drama familiar que acompanha três gerações de uma família isolada em uma casa na floresta. No início, existe uma convivência respeitosa, mas, à medida que o isolamento passa a ser um peso, o ambiente se transforma em uma panela de pressão, revelando conflitos, ressentimentos e as fissuras de uma sociedade marcada pela intolerância, pelo ódio e por pulsões autoritárias.
Para além da mensagem, imagino esse projeto quase como uma dramatização do Big Brother Brasil, só que no meio do mato e com os participantes tendo licença para matar uns aos outros. Sob a ótica e a decupagem minuciosa de Petrus no cenário deslumbrante da serra cearense, esse filme tem um potencial gigantesco.
Quem é o vilão de Homem-Aranha: Um Novo Dia?


Como você já sabe, a Jean Grey do MCU será apresentada em Homem-Aranha: Um Novo Dia, inicialmente como uma vilã. Isso fez algumas pessoas na internet arrancarem as calças pela cabeça por não entenderem como a Marvel tem a coragem de introduzir uma das principais mutantes dos X-Men logo como uma terrorista (ao menos é o que os trailers indicam). Eu sei que os meus leitores são mais inteligentes que isso, por isso não escrevo diretamente para vocês, mas para os novatos na newsletter: galera, não precisa se esforçar muito para perceber a jogada.
Já falei demais sobre os detalhes desse filme. Entendo que há surpresas que funcionarão melhor sendo reveladas na tela, mas a identidade do grande vilão de Um Novo Dia é algo que matamos há mais de um ano por aqui. Na real, nem vou assumir todos os créditos. O Nexus Point News fez uma matéria excelente depois que o Alex Perez expôs qual é o plano da Marvel para os X-Men do MCU.
Tramell Tillman interpreta Bill Metzger, o novo líder do Departamento de Controle de Danos, que se tornará, no futuro, uma Agência de Execução Anti-Mutante. Nos quadrinhos, Metzger é famoso por manipular a opinião pública contra os mutantes. No primeiro trailer, Jean aparece detida em uma sala — ela é uma fugitiva.
Metzger também aparece no novo trailer tentando convencer o Homem-Aranha de que a mutante é uma grande ameaça, o que explica o fato de os dois estarem lutando um contra o outro. Sei que isso deveria ser a grande surpresa do filme, mas vamos lá: temos um vilão manipulador clássico dos X-Men na trama e uma Jean acuada sendo tratada como perigo público. Quem será o verdadeiro antagonista? Raimundo Nonato? A Jean Grey é que não. Enfim.
As cartas estão sobre a mesa. By the way, eu não estava muito animado com esse novo filme do teioso, mas uma onda de positividade me tomou e agora acho que ele tem grandes chances de ser o melhor do Cabeça de Teia desde o subestimado e injustiçado Homem-Aranha 3 (2007).
Curiosidade de Copa: os Opalas escoceses


Vi esses dias um vídeo da Karen Gillan (Guardiões da Galáxia, Jumanji) na maior festa com amigos na rua, esperando pela estreia da Escócia na Copa do Mundo. Os escoceses adoram uma festa e são muito bons de copo. Diria que até demais. Eles cehgaram perto de esgotar o estoque de cerveja de Boston no dia da estreia contra o Haiti.
Isso me lembra do meu tempo como comentarista esportivo na Web Rádio Esportes Total. Quando fazia jogos com o gigante Aldo Luiz — que você talvez conheça por ter narrado a Champions League na HBO Max, e que também já trabalhou com XSports e BandSports —, de vez em quando eu pegava a escala do clássico escocês Celtic x Rangers, que geralmente era por volta das 8 da manhã no domingo. Eu adorava essas escalas aleatórias! A maioria dos comentaristas fugia delas, mas eu achava exótico e, curiosamente, eram as que davam mais audiência, porque as transmissões maiores o pessoal também podia ver na TV.
A grande revelação cultural para mim, fazendo essas transmissões, foi descobrir o motivo de o clássico ser marcado para tão cedo — 8 da manhã aqui é meio-dia lá. Tem a ver com a falta de controle dos escoceses com a bebida.
A Escócia de James Bond e Karen Gillan tem uma cultura de pub muito forte. Historicamente, quando o clássico acontecia no final da tarde ou à noite, os torcedores passavam o dia inteiro bebendo. Juntando isso ao fato de que as duas torcidas têm uma rivalidade religiosa e geopolítica chamada Old Firm (os católicos do Celtic vs. os protestantes do Rangers), você tinha uma combinação explosiva que resultava em confrontos extremamente violentos pelas ruas de Glasgow.
Basicamente, as autoridades forçam para que o jogo seja marcado ao meio-dia para que não dê tempo dos Opalas escoceses ficarem muito bêbados, e para que seja mais fácil dispersar os torcedores, pois a partida vai acabar sob a luz do dia.
Brasil x Escócia se enfrentam às 19h da próxima quarta-feira (24). Se tudo der certo, será o jogo que confirmará a nossa classificação para a próxima fase da Copa. Se por acaso a gente perder, os bares de Miami terão um problema sério com o abastecimento de bebida.
Quais são as chances de Supergirl na bilheteria?


Supergirl (2026) deve ter uma abertura modesta nos EUA, oscilando entre US$ 50 milhões e US$ 70 milhões, e o desempenho fora da América do Norte também não deve encher os olhos. Sinal de pânico na DC Studios? Na verdade, não. Eles continuam confiantes, pois entendem que o longa tem potencial para ter pernas longas nas bilheterias, sustentando-se pelo boca a boca assim como aconteceu com Superman (2025). Por isso, inclusive, anteciparam em uma semana o embargo das reações de influenciadores e jornalistas que participaram da junket.
Mas a avaliação dos críticos será gentil? Olha, pelo que tenho ouvido por aí, a Warner tem seus motivos para segurar o veredito até a véspera da estreia. Não porque o filme vá ser um desastre de 50% no Rotten Tomatoes, mas porque a recepção nos bastidores tem sido parecida com as de Superman e Mestres do Universo (2026). É aquele tipo de projeto em que não dá para saber até o último minuto o que as pessoas realmente acharam.
Bem, a estratégia da DC é apostar tudo no público para o filme crescer ao longo das semanas, pegando carona no feriado de 4 de julho (Independência dos EUA, que acontece na próxima semana). Fica a torcida para que dê certo. Adoro os nomes envolvidos no projeto e ficaria muito feliz em ver esse filme triunfar.
Por que os filmes estão estreando mais cedo?


Lembram que na semana passada eu comentei que as distribuidoras poderiam estar testando uma nova data padrão para o lançamento de filmes no Brasil? Pois bem, consegui mais respostas. E o que descobri vai além disso.
Não há, de fato, um movimento coordenado para mudar o dia padrão de estreias no Brasil da quinta para a quarta-feira. No entanto, as distribuidoras não estão mais presas a essa regra. Na verdade, de uns anos para cá, elas já vinham lançando filmes mais cedo sob o selo de “pré-estreia” ou “sessões especiais”. Agora, a estratégia mudou. Tudo passou a ser definido de acordo com a logística e o calendário.
Neste período entre junho e julho, por exemplo, tantos filmes estão estreando mais cedo por causa das férias escolares e, principalmente, por causa da Copa do Mundo. Convenhamos, faz todo o sentido do mundo. Nenhuma estreia de cinema vai conseguir competir com o jogo da Seleção Brasileira.
Supergirl, por exemplo, terá exibições antecipadas na terça-feira (23), mas não na quarta (24). Afinal, na quarta o Brasil entra em campo.
Rocky Balboa desmascarado


A Diamond Films confirmou o lançamento do filme sobre os bastidores e a criação da franquia Rocky para o dia 19 de novembro no Brasil. Além disso, a distribuidora oficializou a tradução do título original, I Play Rocky, para Eu Sou o Rocky.
Caso você não esteja familiarizado com o projeto, vale o aviso: este não é mais um filme de ficção do Rocky Balboa, mas sim a história real de como Sylvester Stallone lutou contra tudo e todos para fazer o longa original de 1976 acontecer. A produção promete entregar um retrato cru dos bastidores de Hollywood nos anos 70, funcionando também como uma grande homenagem à resiliência do astro.
Peter Farrelly (Debi & Lóide, Green Book: O Guia) é o diretor, enquanto Anthony Ippolito (The Offer) tem a icônica missão de dar vida ao jovem Stallone.
A indústria da verdade


Semana passada, trouxe a dica cultural da excelente série O Segredo de Widow’s Bay, do Apple TV. Nesta edição, decidi apostar em algo diferente. Volta e meia, posto no Letterboxd algumas resenhas de filmes antigos que assisto pela primeira vez ou que reassisto depois de muito tempo. Faço isso como um exercício para as minhas próprias habilidades de crítica. Agora que temos esse espaço para dicas culturais, por que não indicar alguns filmaços antigos para quem ainda não os conhece? Com isso em mente, eis o meu texto repaginado sobre O Informante (1999), obra-prima do Michael Mann:
Segunda metade dos anos 90. Os Estados Unidos começam a esticar a corda com o Oriente Médio e o que se sente é uma tensão constante, mascarada por uma vitrine de estabilidade. É como uma montanha tentando represar um oceano em fúria. As ondas são tão audíveis quanto a nossa própria respiração descompassada, flertando com um ataque de pânico.
Baseado em fatos reais, O Informante acompanha Jeffrey Wigand (Russell Crowe), um ex-chefe de pesquisa de uma gigante do tabaco que decide quebrar seu acordo de confidencialidade para revelar que a indústria manipula quimicamente a nicotina para viciar os fumantes. Ao lado dele está Lowell Bergman (Al Pacino), um produtor do renomado programa jornalístico 60 Minutes, que luta contra as pressões corporativas, ameaças legais e os próprios interesses econômicos da emissora de TV para conseguir colocar a verdade no ar.
Michael Mann transpõe o espírito da época para a tela usando planos claustrofóbicos e uma câmera inquieta, que anda de um lado para o outro como quem tenta aliviar um peso invisível. Nunca fiz uma grande entrevista sem sentir o mesmo “frio na espinha” dessa falsa estabilidade. De um lado, o núcleo de Al Pacino mostra a verdade sendo posta em xeque pelo corporativismo e pela vaidade da mídia; do outro, o de Russell Crowe expõe a armadilha de um “Sonho Americano” que serve de cabresto para quem tem poder.
O texto de O Informante nutre da mesma empatia fria do jornalismo de elite. Ele quer expor a crise do tabaco dos anos 90, não julgá-la. Aliás, se trocássemos o cigarro pela epidemia das casas de aposta no Brasil de hoje, o filme seria completamente atual.
Aprendi com o protagonista, Lowell Bergman, muito antes de sonhar em assinar minhas primeiras pautas, que um jornalista que se preze tem que enxergar além da superfície. O Informante mostra que a verdade é a moeda definitiva do poder. Quem controla a narrativa, manda no jogo. É por isso que o jornalista é o alvo número um de qualquer autoritarismo. Não somos donos da verdade, somos o veículo — e pouca coisa é tão ameaçadora para um figurão quanto um jornalista curioso.
Para quem morre de medo de influenciador ou de Inteligência Artificial engolir o nosso mercado, o filme é um tranquilizador. Você só vai perder o emprego se for um mero replicador de press release ou auxiliar de assessoria. O jornalista de verdade — aquele que fuça, incomoda e é ativo — sempre será uma peça básica da civilização.
Enfim, O Informante: o maior filme de jornalismo investigativo que Hollywood já produziu. Eu não sei exatamente onde você vai conseguir assistir, pois não o encontro mais em nenhum serviço de streaming. Mas dê o seu jeito, porque ainda existe mídia física e vários outros caminhos por aí.
Destaques rápidos da semana


- Crítica de Toy Story 5 – Muito bom o novo filme da franquia. Apesar de estar fazendo novos filmes só por dinheiro, a Pixar leva a muito a sério o alto nível das histórias desses brinquedos.
- Artificial: Amazon desiste de lançar novo filme de Luca Guadagnino – Sam Altman é o vilão da trama do longa, que está praticamente pronto. Vamos fingir que a decisão da Amazon não teve nada a ver com o acordo de US$ 50 bilhões que a empresa fechou no começo do ano com a OpenAi.
- Jim Carrey negocia retorno para O Grinch 2 – Ron Howard já fechou acordo para dirigir e produzir a sequência. O roteiro está sendo finalizado por Alec Berg (Barry,), Jeff Schaffer (The League) e David Mandel (Veep). Obviamente, o sinal verde depende de Jim Carrey fechar o acordo para voltar ao papel.
- Wagner Moura abre negociações para ser vilão no prelúdio de Onze Homens e um Segredo – A trama será ambientada no Grande Prêmio de Fórmula 1 de Mônaco de 1962, e explorará as raízes da família central da franquia original. Margot Robbie e Bradley Cooper interpretarão os pais de Danny Ocean, personagem vivido originalmente por George Clooney. Além de estrelar, Bradley Cooper assinará o projeto como diretor e roteirista. A estreia está marcada para 24 de junho de 2027.
- Cara-de-Barro é comparado ao primeiro filme do Coringa – A exibição-teste do primeiro filme de terror da DC Studios foi um enorme sucesso. O corte, ainda com efeitos inacabados, foi aplaudido de pé. James Gunn e Peter Safran têm algo muito especial em mãos.
- John Byrne volta aos X-Men para se despedir dos quadrinhos – Uma fanfic está ganhando vida como publicação oficial. Trata-se de uma linha do tempo alternativa que continua os eventos de sua fase clássica na revista Uncanny X-Men, partindo do princípio de que a heroína Jean Grey sobreviveu aos eventos da icônica saga da Fênix Negra (ao contrário do que ocorreu na publicação original após interferências editoriais).
- Batman: DC anuncia série médica de Gotham City – Anos depois de Gotham Central (que vai voltar), Greg Rucka está trabalhando em uma sequência espiritual, agora focada em como os hospitais de Gotham ficam enquanto o Batman combate os criminosos malucos da cidade.
- Homem-Aranha: Um Novo Dia registra maior abertura de pré-venda dos últimos 5 anos – Com A Odisseia (2026) e Um Novo Dia estreando lado a lado, Tom Holland vai ser tão popular quanto a Taylor Swift pelos próximos meses.
- Chico Bento 2 é anunciado oficialmente por Isaac Amendoim – Finalmente! A produção acontece ainda este ano.
- Marta: Revelados elenco, data de estreia e imagem inédita do filme da camisa 10 da Seleção Brasileira – Estreia dois meses antes da Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontece aqui no Brasil.
- Marvel apresenta herói inédito nos quadrinhos (e ele lembra muito o Sentinela do MCU) – Mais um Capitão América sequelado.
- Nárnia: Sony fecha acordo com a Netflix e lançará filme de Greta Gerwig nos cinemas – Sony e Netflix estão em um namoro intenso. Será?
- Anya Taylor-Joy é anunciada no elenco de O Senhor dos Anéis: A Caçada por Gollum – A atriz interpretará Seren, uma elfa Sindar do Reino da Floresta, descrita como “uma agente confiável e letal do rei Thranduil”.
- GTA VI ganha data para pré-venda – Em 25 de junho, um dia depois do feriado de São João, seu bolso vai sangrar!
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Fonte: ovicio.com.br