Em meio aos prédios que ocupam a paisagem entre Copacabana e Ipanema, um casarão construído há quase um século continua chamando a atenção de quem passa pela Rua Saint Roman. Cercada pela intensa movimentação da zona sul carioca, a construção preserva características arquitetônicas que remetem ao início do século passado e guarda uma trajetória ligada a diferentes momentos da história do Rio de Janeiro.
Atualmente sede do Pura Vida Hostel, o imóvel foi construído em 1926 para servir de residência ao embaixador polonês Conde Miedzielski. Naquele período, a região ainda apresentava um perfil predominantemente residencial, com casarões espalhados próximos ao mar.

Conhecida como “Castelo Medieval”, a residência se destacou desde sua inauguração ao lado de outras construções inspiradas no estilo Art Nouveau que ocupavam a Rua Saint Roman. O projeto foi concebido para aproveitar a vista para as praias de Copacabana e Ipanema.
Ao longo dos anos, a construção permaneceu como uma das referências arquitetônicas da região, acompanhando as mudanças urbanas que transformaram a paisagem da Zona Sul carioca.
Testemunha das transformações do Rio
Durante sua trajetória, o casarão atravessou alguns dos períodos mais marcantes da história brasileira. A residência acompanhou os impactos da crise econômica mundial de 1929 e os acontecimentos relacionados à 2ª Guerra. Também testemunhou a transformação de Copacabana, que deixou de ser um bairro residencial mais tranquilo para se consolidar como um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro.

Na década de 1950, o imóvel acompanhou acontecimentos que marcaram o País, como a realização da Copa do Mundo de 1950, o início da construção de Brasília e a conquista do primeiro título mundial da seleção brasileira, em 1958.
Enquanto a cidade crescia e passava por mudanças estruturais, a residência permanecia como parte da memória urbana de uma região que se tornava cada vez mais valorizada.
Ponto de encontro da cena cultural carioca
Nas décadas de 1960 e 1970, o casarão passou a acompanhar outro capítulo importante da história da cidade. Em meio às transformações culturais do período, o imóvel começou a se consolidar como espaço de encontro para artistas, músicos e frequentadores da cena boêmia carioca.

Foi nessa época que a propriedade passou para a tradicional família Azeredo Lopes. A casa se tornou palco de eventos e festas que marcaram a vida social da cidade.
Entre eles está a Festa dos Vampiros, realizada em uma sexta-feira 13 de agosto de 1971, lembrada como um dos eventos mais conhecidos promovidos no imóvel.
Ao longo dos anos seguintes, o salão principal também recebeu ensaios teatrais, apresentações musicais e encontros ligados à produção cultural do Rio. O espaço ainda serviu de cenário para produções audiovisuais, incluindo gravações do filme “Como Ser Solteiro” no Rio de Janeiro.
Da boemia à hospedagem
Em 2010, o casarão iniciou uma nova fase ao receber a Taverna Saint Roman, estabelecimento que passou a atrair moradores e turistas.
O espaço também passou a sediar eventos recorrentes, como o Réveillon Pura Vida, realizado anualmente e frequentado por hóspedes e visitantes.



No ano seguinte, cinco amigos transformaram o imóvel no Pura Vida Hostel. A proposta foi unir hospedagem, atividades culturais e experiências ligadas ao cotidiano carioca dentro de um dos casarões históricos da região.
A mudança permitiu que o imóvel continuasse ativo e recebendo visitantes, preservando parte de sua estrutura e de sua história.

Reconhecimento internacional
Às vésperas de completar 100 anos, o casarão segue desempenhando uma função ligada ao turismo da cidade. O local recebe hóspedes de diferentes países e mantém uma programação voltada à convivência e ao intercâmbio cultural.
O Pura Vida Hostel foi incluído entre os dez melhores hostels da América do Sul pelo HOSCARs Awards, premiação organizada pela Hostelworld e baseada em avaliações realizadas por hóspedes.
O ranking leva em consideração critérios como localização, atendimento, atmosfera social, limpeza e custo-benefício.
Enquanto se aproxima de seu centenário, o imóvel continua integrando a paisagem entre Copacabana e Ipanema, reunindo elementos da história urbana do Rio e da atividade turística contemporânea.
Fonte: catracalivre.com.br