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Crítica de The Boys (5ª temporada)

21 de maio de 2026 | 10:01
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Saber lidar com o silêncio é um dos principais sinais de maturidade. Dar espaço para o desenvolvimento particular, e se desenvolver internamente, exige muita energia. Além disso, é um caminho tão doloroso quanto aprender a andar. Você vai tomar alguns tombos, mas faz parte do processo. Há pessoas que não conseguem lidar com esse mar de incertezas e, obcecadas por respostas fáceis, tentam preencher esse vazio com qualquer ambição baixa que surja pela frente, além de muita gritaria. The Boys passou 5 temporadas gritando.

The Boys: 10 revelações do episódio 3 da 5ª temporadaThe Boys: 10 revelações do episódio 3 da 5ª temporada
Reprodução/Prime Video

Por anos, a série do Prime Video expôs problemas óbvios em filmes de super-heróis, principalmente os do MCU, o que de certa forma respeita o DNA dos quadrinhos originais de Garth Ennis. No entanto, como qualquer adolescente que sai gritando por aí achando que tem solução para tudo, terminou cometendo os mesmos pecados quando foi pressionada. É uma configuração para série derivada aqui, uma frase de efeito com piada na ação ali. É possível entender as reações dos fãs mais chateados nesse quesito, pois não deixa de ser uma traição ao próprio código — que, sejamos francos, sempre foi muito frágil.

O fato de The Boys ter sido uma série adulta imatura, no entanto, não significa que sua jornada tenha sido ruim, ou mesmo que a 5ª temporada seja um completo fracasso. Grande parte do fenômeno que a série se tornou tem a ver com essa personalidade de eterno rebelde. A graça foi consistente. O sentimento de “o que danado é isso?” também. De certa forma, ao se forçar a encerrar arcos — ou quase isso —, este último ano acabou sendo um balaio com o derivativo de tudo o que funcionou nas temporadas anteriores.

Desde o esforço para descobrir como os Rapazes vão sair de situações impossíveis, até a lembrança afetiva do auge da série — a 3ª temporada — com o Soldier Boy, o último ano trouxe notas muito conhecidas para um remix sem muita graça. Se não conseguiu brilhar pela própria criatividade, que foi o forte da produção ao longo de sete anos, ela ao menos se sustentou na nostalgia. E o fato de isso parecer a descrição do modorrento Deadpool & Wolverine (2024) só reforça o sentimento de que a sátira se tornou o que satirizava.

Avaliações do episódio final de The BoysAvaliações do episódio final de The Boys
Reprodução/Prime Video

Se por um lado o texto não foi dos mais brilhantes, esta 5ª e última temporada mantém o ótimo trabalho de imagem da série. A gramática visual sabe lidar com o isolamento e o delírio de maneira efetiva. Em grande parte, a representação de Billy Bruto e Capitão Pátria como homens solitários, com problemas paternos e um vazio impreenchível, é mérito dos trabalhos potentes de Karl Urban e Antony Starr. Mas não há como ignorar o esforço que a imagem faz para representar a derrocada dos dois. É um trabalho bem melhor que o do texto.

The Boys: 10 revelações do episódio 7 da 5ª temporadaThe Boys: 10 revelações do episódio 7 da 5ª temporada
Reprodução/Prime Video

A atmosfera não chega a ser o perigo total que foi prometido, porque o texto é inconsistente em relação à verdadeira amplitude da influência do Capitão Pátria na sociedade dividida dos Estados Unidos. Em alguns momentos, qualquer um pode ser uma ameaça. Em outros, os Rapazes conseguem trafegar tranquilamente e sem serem notados pelas ruas. No entanto, a série ainda é capaz de causar um incômodo latente, que se dá principalmente pelo uso da religião como veículo político. É muito parecido com o que é feito em Far Cry 5.

Enfim, seria lutar contra as estatísticas imaginar que o final de The Boys seria algo diferente de um delírio adolescente. É justo ter esperado algo talvez mais divertido, mas as notas originais são tão legais que, mesmo usadas de forma pasteurizada, soam bem. É como ouvir uma versão eletrônica de Anunciação, do Alceu Valença.

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Nota 6

Fonte: ovicio.com.br

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