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Crítica de O Mandaloriano e Grogu

21 de maio de 2026 | 21:24
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5–7 minutos

Desde o início, O Mandaloriano e Grogu tinha uma ingrata e injusta missão. Primeiramente, marcaria o retorno de Star Wars aos cinemas, o local onde a franquia foi concebida, após um longo hiato de sete anos e um esfriamento do público. E claro, existe certa lógica na decisão da Disney em olhar para O Mandoloriano ao fazer esse retorno; afinal, a série foi o único verdadeiro hit de Star Wars nos últimos anos e, mais importante de tudo, o Grogu vendeu muito boneco.

Missão dada, entramos na segunda questão: convencer o espectador médio a assistir um filme que traz dois personagens que tem um histórico prévio de uma série de TV contando com três temporadas (e meia, se consideramos O Livro de Boba Fett). O curioso é que, ao longo da produção desse filme, algumas coisas mudaram, sendo a mais drástica delas a mudança da presidências da Lucasfilm, onde sai Kathleen Kennedy e entram Dave Filoni e Lynwen Brennan.

Mas o que mais importa aqui é que, nesse meio tempo, enquanto vários filmes anunciados sequer saíram do papel (como o filme da Rey, que Deus o tenha), surgiu o anúncio de Star Wars: Starfighter, um projeto estrelado por Ryan Gosling e dirigido por Shawn Levy (após o sucesso estrondoso do cineasta com Deadpool e Wolverine). De grandes nomes sendo atrelados continuamente ao elenco, até a presença do astro Tom Cruise dirigindo uma cena no set, ficou bem claro que esse filme se tornou a nova menina dos olhos da Disney. E aí… esqueceram O Mandaloriano e Grogu.

Sigourney Weaver atuando em O Mandaloriano e GroguSigourney Weaver atuando em O Mandaloriano e Grogu
Reprodução/Disney

Logo ficou bem claro para os fãs que o  filme dirigido por Jon Favreau começou a ser esquecido no rolê, com um marketing preguiçoso e pouco esforçado que demorou até mesmo a apresentar um trailer decente para a produção, mesmo quando faltavam apenas 3 meses para a estreia. É como se a Disney tivesse percebido que seria muito mais interessante fazer alarde para Starfighter (quando o filme chegar aos cinemas em 2027) do que fazer isso com o mais humilde O Mandaloriano e Grogu, uma simples aventura episódica de uma produção… episódica.

Bem, infelizmente, O Mandaloriano e Grogu é exatamente isso. O roteiro, assinado por Favreau e Filoni, na tentativa de fazer dessa uma aventura isolada que não cobra conhecimento prévio daqueles que não assistiram a série, é uma faca de dois gumes. Embora haja êxito nessa empreitada, o resultado é uma aventura insípida, já que opta por ignorar toda a jornada anterior de Mando e Grogu, ao mesmo tempo em que não os leva para lugar nenhum. O filme é, basicamente, um longo episódio especial sem peso narrativo.

Aliás, muito foi debatido sobre se essa seria ou não a quarta temporada da série, adaptada em formato de filme após a decisão da Disney de levar Mando e Grogu aos cinemas. Embora Favreau negue, fica bem claro que este é realmente o caso. O filme conta com uma estrutura completamente episódica, exatamente como seria se fosse uma temporada. Resquícios de um roteiro adaptado para cinema, ou decisão artística para remeter às origens dos personagens? O fato é que a estrutura é tão demarcada que se torna gritante em pouco tempo, com um arco iniciando apenas quando outro é finalizado – exatamente como aconteceria a cada três episódios.

Pedro Pascal em O Mandaloriano e Grogu, filme de Star WarsPedro Pascal em O Mandaloriano e Grogu, filme de Star Wars
Reprodução/Disney

Nessa trama, vemos o Mandaloriano Din Djarin (Pedro Pascal) fazendo trabalhos para a Nova República, capturando remanescentes do Império que possam causar instabilidade ao novo status quo da galáxia. Para conseguir a localização de um desses alvos, Mando precisa realizar uma missão para os Hutts: trazer Rotta, o filho do falecido Jabba, ex-líder do Cartel Hutt. Por uma série de eventos que não vou entregar nesse texto, Mando e Grogu se veem, eles próprios, como alvos das perigosas lesmas gângsteres.

No entanto, mesmo que jogue no seguro e com isso entregue um dos filmes mais esquecíveis de Star Wars, não há como negar que Favreu faz um trabalho competente. O Mandaloriano e Grogu é um filme bem executado, assim como também é a série de TV. Na verdade, o diretor, que tem em seu currículo trabalhos como Mogli: O Menino Lobo (2016) e O Rei Leão (2019), se mostra como o cara certo para esse tipo de filme, afinal, estamos falando aqui de um “fillme de boneco”.

Favreau já declarou algumas vezes sobre como é um grande fã desse aspecto particular da obra de George Lucas, então o que temos aqui é um festival de robôs e marionetes. Embora O Mandaloriano e Grogu conte com vários personagens, apenas Pedro Pascal e Sigourney Weaver são os humanos recorrentes em tela (e no caso dele, desmascarado por apenas poucos minutos). Todos os outros personagens (exceto pelos pilotos e  os poucos imperiais) são robôs, bonecos ou criaturas em CGI.

Um protagonista que é um mascarado cromado, aliado a uma bebê alienígena animatrônico, cercados de personagens vagamente humanoides, não formam nem de longe a fórmula mais fácil de criar empatia com o público, mas mesmo assim, nesse aspecto o longa brilha fantasticamente. Especialmente no que se refere a Grogu, que aqui está mais adorável do que nunca.

Baby Yoda em O Mandaloriano e GroguBaby Yoda em O Mandaloriano e Grogu
Reprodução/Disney

Mas o mais curioso mesmo desse filme, é o quanto a trilha sonora de Ludwig Göransson é protocolar. Mais do que isso: pouco inspirada e, em alguns momentos, preguiçosa. Basicamente, o que temos em 90% do filme é a trilha clássica composta para a série de TV, mas com algumas poucas variações para se encaixar em determinados momentos. Se for para destacar algo, gostei da batida synth-pop de uma das versões, especialmente porque isso se encaixa canonicamente. Na galáxia muito distante, esse estilo musical é chamado de Jatz, e quem jogou Star Wars: Jedi Survivor conhece bem o estilo.

Por fim, ao terminar o longa, uma pergunta surgiu na minha mente: a quem ele se destina? O fã de Star Wars, que acompanhou toda a série e queria ver uma evolução desses personagens, sai frustrado, afinal os personagens vão do nada para lugar nenhum. O espectador casual, que só assiste aos filmes, dificilmente vai maratonar a série, com base no que viu aqui. E ao mesmo tempo, na completa falta de ousadia que o filme apresenta, é impossível que faça barulho suficiente para levar curiosos às salas de cinema.

É triste que essa talvez seja a última vez que vejamos Mando e Grogu, principalmente porque enquanto a  segunda temporada de Ahsoka não estreia, o futuro do Mandoverso permanece com um grande ponto de interrogação. No fim, é triste ver como a Disney trata a obra que trouxe de volta o interesse em Star Wars quando nada mais parecia fazer isso. Mas talvez eles consigam vender mais uma boa quantidade de bonecos do Grogu.

Leia mais sobre O Mandaloriano e Grogu:

Nota 7

Fonte: ovicio.com.br

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