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Azul, Gol e Latam vão cortar 121 voos por dia em junho para aliviar custo com combustível

22 de maio de 2026 | 10:04
Dezenas Divertidas

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam, alertou na noite de ontem que, somadas, as companhias aéreas vão cortar 121 voos por dia, em média, no próximo mês para diminuir a pressão de custos com o querosene de aviação (QAV). A medida deve atingir principalmente destinos do Norte e do Nordeste.

Voo Atrasado Cancelado Direitos Passageiro 2025 2

O valor do combustível usado pelo setor já avançou cerca de 100% no Brasil desde o início da guerra no Oriente Médio, que fez disparar o preço do petróleo. Cerca de 20% da produção mundial da commodity passa pelo Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e que está parcialmente fechado. Isso gera um descontrole de preços em razão do desequilíbrio entre oferta e demanda.

O número de cancelamentos de voos em junho revela um agravamento da crise. Neste mês, Azul, Gol e Latam cortaram pouco mais de 90 decolagens diárias. Na prática, seriam 2,7 mil voos a menos em maio e 3,7 mil a menos no próximo mês.

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“Estamos reduzindo a oferta, o tamanho do avião para não desatender os destinos. Mas a pior face da crise é o desatendimento de um destino ou quando a indústria devolve uma aeronave para o fabricante, porque a retomada não é tão simples”, afirmou o presidente da entidade, Juliano Noman.

De acordo com a Abear, até o momento, o corte tem sido feito “para preservar a conectividade aérea do país”. Nenhuma das cidades atendidas por Azul, Gol e Latam no Brasil deixou de receber voos até agora.

Silhueta Aviao

O preço do QAV deixa pouca margem para dúvidas. Segundo a Abear, o combustível dobrou de preço desde o início da guerra, passando de R$ 3,30/litro para R$ 6,65 (preço de quarta-feira). Com isso, o querosene, que respondia por cerca de 32% dos custos do transporte aéreo, passou a representar 46%.

Como consequência de uma redução na oferta de assentos e da disparada do preço do QAV, as companhias preveem altas de até 30% no preço das passagens nos próximos meses.

Em abril, os bilhetes subiram 9% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em março, na mesma base de comparação, o acréscimo foi de 17%. Recentemente, a Azul afirmou que o setor já fez nove aumentos nas passagens somente neste ano.

Setor pede prorrogação de medidas para aliviar preço do QAV

Aviao Abastecimento Combustivel Capa

Em uma reunião em Brasília na tarde de ontem, o presidente da Abear cobrou o governo para que medidas para aliviar a alta do QAV sejam definidas em conjunto com as empresas aéreas e a Petrobras.

A principal delas é a prorrogação da isenção do PIS/Cofins sobre o (QAV) até o fim do ano. Segundo a Abear, o corte dos tributos foi a única medida já implementada do pacote anunciado pelo governo federal no início de abril para ajudar o setor. A validade, contudo, expira em 31 de maio. As outras duas iniciativas são o adiamento do pagamento das tarifas de navegação e o acesso a linhas de crédito.

“Ainda que o impacto da redução do PIS/Cofins seja de 2%, é importante que a medida seja estendida”, disse Noman.

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A maioria das empresas enxerga o preço do barril de petróleo e do combustível de aviação em patamares elevados, ao menos até o fim de setembro. A Latam, por exemplo, antevê um custo extra de US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões, na cotação atual) com o QAV nos próximos meses.

Segundo a Petrobras, o Brasil produz mais de 80% do combustível de aviação consumido internamente. Entretanto, a estatal adota a paridade internacional para precificá-lo, ou seja, acompanha as flutuações do preço do petróleo e do dólar.

Tarifas de navegação e acesso a crédito podem endividar o setor

Biocombustivel Azul

A Abear diz que, diferentemente da isenção do PIS/Cofins, que representa “corte de custos efetivo”, as outras medidas têm efeito no fluxo de caixa das empresas – na prática, um endividamento, tema especialmente sensível ao setor e que colocou Azul, Gol e Latam em muitas dificuldades financeiras recentemente.

O pagamento das tarifas de navegação entre junho e agosto foi adiado para o fim do ano, sem juros. Duas linhas de crédito também foram anunciadas no pacote do início de abril. A do Banco do Brasil pode ser acessada desde ontem, enquanto a do BNDES só estará disponível a partir de agosto.

Azul Gol Latam Capa Nova 01

A Petrobras, por sua vez, parcelou o QAV vendido às aéreas a partir de abril. O pagamento do combustível pode ser feito em até seis meses, com carência até junho. A medida foi anunciada pela estatal após um aumento histórico de mais de 50% no combustível de aviação em 1º de abril.

“Essas medidas, embora importantes, acabam por endividar as empresas, carregando aumento para as passagens”, disse a diretora de Outorgas, Patrimônio e Políticas Regulatórias Aeroportuárias da Secretaria de Aviação Civil do Ministério de Portos e Aeroportos, Clarissa Barros, durante a reunião.

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Fonte: melhoresdestinos.com.br

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