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Crítica de Toy Story 5

19 de junho de 2026 | 12:31
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Telas brilhantes, saturadas de estímulos, dão a adultos e crianças exatamente o que eles querem. Mas o que acontece com o esforço necessário para imaginar a própria história? De onde virão as inspirações? Ao mesmo tempo que todos estão mais conectados — com a interação à distância de um clique —, estamos também mais distantes afetivamente. Mais do que nunca, é como se cada cabeça fosse uma ilha. E como ficam os brinquedos nisso tudo? Será que a era deles acabou? Toy Story 5 (2026) lida com o avanço desenfreado da tecnologia de forma conciliadora, mas, em metalinguística, debate sua própria crise existencial como franquia. Afinal, por que continuam fazendo filmes sobre esses brinquedos?

A própria Pixar já admitiu: esses filmes continuam existindo por dinheiro. O estúdio precisa fazer caixa para continuar produzindo novos projetos originais, e o mercado da nostalgia é extremamente generoso com Toy Story. Não à toa, o quinto filme caminha para quebrar todos os recordes de bilheteria. A principal lição que a Pixar deixa com esse tipo de obra, entretanto, é que não é porque existe uma necessidade mercadológica de criar uma sequência, que ela precisa ser feita de qualquer jeito.

Crítica de Toy Story 5Crítica de Toy Story 5
Reprodução/Pixar

Toy Story ainda é um produto muito artesanal para o estúdio. Se não em técnica, já que lida com o tratamento de imagem padronizado da Pixar, certamente na forma como captura o drama por meio de sentimentos genuínos. No novo filme, Bonnie enfrenta dificuldades para fazer amigos, pois todas as outras crianças só querem saber de ficar conectadas no mundo digital, enquanto ela ainda prefere os brinquedos. Os pais, desesperados para que a filha se desenvolva socialmente, decidem comprar um tablet educativo projetado para ajudar nas conexões com outras crianças. A tecnologia, no entanto, rouba a atenção da menina e passa a ditar o que é melhor para ela com base em um pensamento algorítmico. Jessie rapidamente entende o perigo da situação, afinal, ninguém é capaz de conhecer uma pessoa por completo apenas mapeando padrões. A partir daí, começa uma verdadeira guerra dos brinquedos contra a Lilypad.

Há um novo padrão de animação na Pixar que combina cenários verossímeis a expressões caricatas, agora dando destaque às texturas dos objetos em tela e tratando a imagem como se ela estivesse sendo capturada por uma câmera real. Usaram essa técnica em Cara de Um, Focinho de Outro (2026). Embora pareça haver uma manipulação humana nos movimentos, os limites físicos simplesmente não existem. Os movimentos são limitados apenas pela imaginação dos diretores. Andrew Stanton pinta e borda com essas possibilidades, criando um filme dinâmico que sabe exatamente como e quando estimular os sentimentos do espectador apenas através da imagem.

Crítica de Toy Story 5Crítica de Toy Story 5
Reprodução/Pixar

Para citar alguns exemplos: quando quer provocar medo, o diretor utiliza recursos como planos holandeses e zooms rápidos. Para além disso, as transições entre a realidade e o mundo imaginário das brincadeiras trazem um charme visual único para o projeto, distanciando-o um pouco desses padrões da Pixar.

Toy Story 5 tem personalidade e passa longe do pedantismo. Veja bem, este é um filme que utiliza o que há de mais moderno no mercado de animação cinematográfica, por isso seria completamente cínico tratar a tecnologia como a grande vilã do mundo. No início, a própria trama questiona se a modernidade (leia-se: streamings, jogos digitais e vídeos curtos) não estaria roubando o seu lugar no mercado, já que é notória a impaciência cada vez maior das crianças para assistir a conteúdos longos.

Com o tempo, a história faz as pazes com a ideia de que adotar uma postura polarizada diante desses avanços é o pior caminho. Quem foca apenas no problema jamais terá tempo ou cabeça para encontrar uma solução — que, no caso, passa por entender como usar essa evolução a seu favor. No fundo, a franquia descobre o seu lugar no mundo atual ao longo da narrativa, reafirmando que ainda é útil.

Crítica de Toy Story 5Crítica de Toy Story 5
Reprodução/Pixar

Desde 1995, Toy Story usa brinquedos para lidar com a resolução de dilemas que despertam sentimentos que costumamos perigosamente ignorar ou suprimir por considerá-los bobos ou triviais. O complexo de substituição, o medo do abandono, a ansiedade, o pavor do crescimento e do esquecimento, a crise de identidade e, agora, o medo do isolamento. Sempre haverá algo desconfortável e reprimido sobre o qual esses personagens precisarão conversar com seu público. Deixando de lado o clichê de que a franquia deveria ter acabado no terceiro filme, Toy Story 5 se consolida como uma obra potente sobre conexões, e prova que a Pixar ainda sabe como fabricar com alma.

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Nota 9

Fonte: ovicio.com.br

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