O ube, conhecido no Brasil como inhame-roxo, passou de ingrediente típico das Filipinas a presença constante em cafeterias, padarias e confeitarias em diferentes continentes. A cor intensa e o sabor suave colocaram o tubérculo no centro de uma tendência gastronômica global, em bebidas, sobremesas e produtos industrializados, alterando também a rotina de produtores rurais e a forma como o alimento é cultivado.
O que é o ube (inhame-roxo) e por que ele está em tanta receita?
O ube é um tubérculo de polpa violeta, rico em carboidratos e antioxidantes naturais, tradicional nas Filipinas em doces, geleias, pastas cremosas e sobremesas festivas. Para muitos povos indígenas, o inhame-roxo é um alimento básico ligado à segurança alimentar e a práticas agrícolas transmitidas entre gerações.
Fora da Ásia, sua expansão começou em restaurantes de imigrantes filipinos e ganhou força com a combinação de cor intensa e sabor delicado, chamando a atenção da confeitaria artesanal e da indústria. Hoje ele aparece em cafés gelados, donuts, panquecas, waffles, sorvetes e pães roxos, muitas vezes associado à ideia de ingrediente “exótico” e fotogênico para redes sociais.
Como a popularidade global do ube impacta agricultores e comunidades locais?
O aumento da procura no exterior por produtos processados de inhame-roxo, como pós, extratos e pastas, elevou o valor do tubérculo e permitiu que agricultores recebessem preços maiores que nos mercados locais. Em algumas regiões, quem vendia o quilo abaixo do custo passou a ter renda mais estável por meio de intermediários e pequenas agroindústrias.
Por outro lado, a corrida para aproveitar a “febre do ube” levou muitos produtores a vender quase toda a colheita, reduzindo o volume reservado para material de plantio. Isso aumentou a dependência de mudas fornecidas por centros de pesquisa, governos e ONGs, gerando filas de espera, além de exigir mais capacitação em manejo de solo, controle de pragas e armazenamento seguro das raízes.

Quais são os desafios entre demanda em alta e queda na produção?
Mesmo com forte procura internacional por ube em pó, extratos e sobremesas prontas, dados oficiais mostram queda no volume colhido nas Filipinas, ainda referência mundial no cultivo. A escassez de sementes de qualidade, a competição por áreas agricultáveis e a preferência por culturas mais simples de manejar ajudam a explicar esse paradoxo produtivo.
Para reduzir o descompasso, grupos de agricultores e cooperativas buscam agregar valor ao tubérculo, priorizando a exportação de itens processados em vez de raízes frescas. Nessa estratégia, iniciativas locais articulam ações como:
- Instalação de pequenas fábricas de pastas, pós e doces próximos às áreas produtoras.
- Negociação coletiva de contratos com compradores estrangeiros para melhorar preços.
- Treinamentos sobre rotação de culturas, conservação de mudas e colheita com menos perdas.
Que caminhos podem fortalecer o futuro do ube no campo e na mesa?
Especialistas em desenvolvimento rural defendem o investimento em bancos de germoplasma para preservar diferentes variedades de inhame-roxo, bem como o estímulo a sistemas agroflorestais que integrem o tubérculo a outras espécies. Programas de crédito e apoio técnico na fase inicial de expansão das áreas plantadas ajudam pequenos agricultores a lidar com riscos de clima, pragas e oscilações de preço.
Também ganham importância a organização de cooperativas para negociar exportações, as parcerias entre centros de pesquisa e comunidades indígenas e a rotulagem transparente destacando a origem do ube. Ao conectar consumidores urbanos às histórias de quem planta, processa e comercializa o inhame-roxo, cada bebida roxa ou fatia de bolo se torna um ponto de encontro entre culinária globalizada, cultura alimentar e território.
Fonte: catracalivre.com.br