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Se você está lindo isso, parabéns: você é um dos primeiros a descobrir que O Vício agora tem a sua própria newsletter — ou quase isso, já que o projeto ainda está em fase de testes. Ainda não temos um nome definitivo, mas isso vai ser resolvido em breve. A ideia é usar este novo espaço para trazer bastidores que não entram nas matérias convencionais, furos de reportagem ocasionais e, quase sempre, análises sobre o mercado audiovisual. Isso sem falar, claro, no resumão das principais notícias da semana com notas de opinião. Na edição de hoje, os destaques são o projeto rejeitado de Taylor Sheridan e o seu impacto em Call of Duty, e a Jean… digo, a personagem de Sadie Sink em Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026).
A newsletter do O Vício será editada por mim (Ramon Vitor), mas nem sempre escrita exclusivamente por mim. A de hoje, sim, conta apenas com a minha participação. No entanto, a ideia é que os outros redatores também tragam suas próprias visões para este conteúdo, que deve se tornar semanal assim que for oficializado.
Ainda nesta edição, falo um pouco sobre o suposto drama de bilheteria de Supergirl (2026) e trago um rumor sobre o papel de Adam Driver em Fogo Contra Fogo 2. É isso. Aproveite o conteúdo a seguir porque, até segunda ordem, é de graça.
Como a frustração de Taylor Sheridan pode moldar Call of Duty


Já faz um tempinho que todo mundo sabe que o ganso dos ovos de ouro do Paramount+, Taylor Sheridan, está de saída da Paramount-Skydance por causa de um atrito com a divisão de cinema da empresa. Caso você não lembre, antes de fazer de Yellowstone um hit, Sheridan escrevia e até dirigia roteiros de filmes — e ele era realmente muito bom nisso.
Sicario: Terra de Ninguém (2015) e Terra Selvagem (2017) são alguns de seus mais estimados bebês. O meu preferido é A Qualquer Custo (2016), que foi até indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original.
O criador de Yellowstone foi tomado por uma grande inspiração e voltou recentemente a trabalhar em projetos para o cinema. Entre eles estão FAST, um thriller policial em pós-produção na Warner Bros. Pictures (cujo pitch foi adquirido antes de Sheridan assinar o contrato de exclusividade com a Paramount), e o tão aguardado live-action de Call of Duty, que ele está desenvolvendo para a própria Paramount. Havia, no entanto, um projeto no meio de tudo isso que serviu como um dos principais pivôs de sua separação da Paramount-Skydance: Capture the Flag.
Capture the Flag foi por muitos anos o projeto-chodó de Sheridan, que fugia quase totalmente do gênero neo-western que o consagrou. É, veja só, uma história de corrida espacial. Mais especificamente, sobre a nova e silenciosa corrida espacial que estamos vivendo agora. O roteirista enviou isso para a nova gestão da Paramount, eles devolveram o roteiro cheio de anotações, Sheridan ficou revoltado e foi embora, aceitando um acordo bilionário para ser o ganso dos ovos de ouro da NBC Universal nos cinemas a partir deste ano e na TV só após 2029.
Bem, eu li esse roteiro e conheço algumas outras pessoas que também o leram. Embora existam opiniões divergentes quanto a qualidade da história, consigo ver algumas razões bem claras para a turma de David Ellison ter pedido alterações. Há vários nomes reais do setor de tecnologia na trama, como Elon Musk, e a nave do vilão — responsável pelo momento mais dramático da história — se chama Oracle. Se você não vive em outro planeta, sabe muito bem que esse é o nome da empresa do pai de David, Larry Ellison.
O que mais causou controvérsia na análise desse material foi o fato de ele se distanciar dos temas filosóficos e mais crus que Sheridan costuma apostar em seus neo-westerns. Algumas pessoas que conheço e que também leram o texto dizem que não sentem a assinatura do roteirista ali, mas, para mim, ela está claríssima. Taylor Sheridan é um roteirista profundamente ligado aos dilemas e costumes do que define a identidade americana. Pouca gente na indústria fala sobre os Estados Unidos como ele, e Capture the Flag talvez seja seu trabalho mais político até agora, partindo de um problema real do mundo para investigá-lo pela ótica de um contribuinte que se sente lesado.
Basicamente, a NASA abre um concurso para que empresas privadas desenvolvam o motor mais eficiente para levar o homem de volta à Lua. Em troca, a agência espacial oferece gratuitamente grande parte de seus segredos de anos de desenvolvimento, permitindo que os concorrentes criem a melhor tecnologia possível. Durante o briefing da corrida, um bilionário chamado Jerod se encanta com o protótipo de um motor chamado Aerospike, capaz de fazer uma espaçonave funcionar em estágio único. Traduzindo para o português: a nave conseguiria decolar da Terra e chegar à órbita do planeta sem precisar soltar pedaços pelo caminho.
Jerod, então, procura o engenheiro que projetou a tecnologia, Randy — um homem de 50 anos que sempre sonhou em ir para o espaço —, e o seduz com a chance de integrá-lo à expedição lunar. Em troca, Randy deve testar e desenvolver esse motor para a empresa privada de Jerod, sob licença da NASA.
O roteiro inteiro gira em torno dos testes desse motor, e o drama envolve as verdadeiras intenções do bilionário: ele quer ganhar a corrida espacial? Valorizar as ações de sua empresa na bolsa? Ou o plano é apenas roubar a tecnologia da NASA para lucro próprio de forma legal? Sheridan é muito vocal no roteiro ao criticar o desvio de foco dos EUA no avanço tecnológico, colocando Randy para dizer que, se os bilhões gastos por petróleo na Guerra do Iraque tivessem sido investidos na NASA, a agência não precisaria licenciar sua própria tecnologia para conseguir recursos.
O roteiro de Capture the Flag não foi o único que li de Taylor Sheridan; portanto, me sinto seguro para dizer que esta é a melhor história dele que já passou pelas minhas mãos. Algumas cenas simplesmente não saem da minha cabeça, como uma em que Jerod é confrontado pelos dinossauros da Bolsa de Valores, tendo como pano de fundo o quadro de uma enorme tempestade, ou toda a descrição do texto de abertura sobre a nave Oracle — que leva bilionários a uma altitude alta o suficiente para que eles vejam a curvatura da Terra antes de retornar.
Eu entendo a frustração do roteirista, pois eu mesmo fiquei com vontade fazer esse filme , de contar essa história — e olha que eu nem sou americano, e nem tenho interesse em ser. O que dá para sentir lendo esse texto, entretanto, é que Sheridan estava muito a fim de falar sobre o mundo corporativo penetrando nos segredos mais valiosos das instituições públicas e tirando proveito disso. E, pensando em franquia, onde mais esse assunto poderia ser explorado com tanta profundidade senão em Call of Duty?
Eu não tenho nenhuma informação de bastidores sobre esse projeto específico, mas me parece muito plausível que Sheridan aproveite essa temática no longa da Paramount. Uma corporação privada aliada às Forças Armadas, manipulando o exército para o próprio benefício, a ponto de forçar soldados a agirem por conta própria, contra a própria organização, em um verdadeiro contra tudo e contra todos. Não sei você, mas eu consigo ver isso acontecendo tranquilamente.
Quanto a Capture the Flag, ninguém sabe se existe a chance de o projeto ser salvo. Há o risco de que, se demorar muito mais para sair, ele acabe ficando obsoleto, já que estamos vivendo uma corrida espacial real rumo a Marte que envolve voltar para a Lua e estabelecer uma base lá. O timing para lançar o filme é agora. O ideal teria sido o lançamento próximo à missão Artemis 2, que aconteceu agora em abril. Bem, tomara que Sheridan possa apresentar esse roteiro para a NBCUniversal e que os executivos de lá tenham opiniões diferentes dos da Paramount.
Vale destacar que Call of Duty muito provavelmente será o último trabalho de Sheridan para a divisão de cinema da Paramount sob o seu atual contrato. Isso só não vai acontecer caso o estúdio tenha encomendado algum outro projeto nesta reta final e ainda não o tenha anunciado oficialmente.
Por que a Marvel insiste em esconder o óbvio?


Você deve ter percebido que as minhas matérias recentes sobre Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026) trazem a afirmação de que Sadie Sink está interpretando Jean Grey no filme. A Marvel ainda não anunciou isso oficialmente — e nem vai antes do filme ser lançado —, mas eu não cravo nada nos meus textos sem ter certeza absoluta do que estou falando. Sim, ela é a Jean Grey. E não digo isso baseado apenas em fontes ou insiders, mas porque vi com meus próprios olhos em uma imagem que derrubaria o site se fosse compartilhada por aqui.
Existe uma versão bizarra dessa imagem circulando nas redes sociais que foi bisonhamente redesenhada por IA. Também não vou compartilhá-la aqui, mas farei uma descrição: ela usa uma camiseta verde-escura sob um moletom amarelo e, por cima de tudo, um casaco também verde-escuro. Pense em uma mistura da Jubileu da série dos anos 90 com a Kitty Pryde de X-Men: Evolution.
Não sou um grande fã da forma como a Marvel trata esses segredos. Por que a introdução da Jean Grey no filme precisa ser um mistério tão guardado? Se revelar isso antes do lançamento vai matar o interesse do público, então o seu filme é ruim. O estúdio segue nessa tendência chata de Mister M que foi popularizada pelas sacadas chatas de Christopher Nolan. Sempre que têm a chance, tentam fazer sua própria versão do “Robin” de O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012).
Supergirl é um drama para a DC Studios?


Várias exibições-teste e uma divulgação bem tímida colocam uma certa nuvem sobre Supergirl, mas a DC Studios parece estar muito bem com o filme.
Os primeiros 2 dias de pré-venda de Supergirl estão 2x à frente dos de F1 (2025), que estreou no mesmo fim de semana no ano passado. Obviamente, os filmes de super-heróis dependem muito mais de pré-vendas do que produções como a estrelada por Brad Pitt, mas esse não deixa de ser um dado curioso.
Nos EUA, o rastreamento está 2,5x acima de As Marvels (2023), praticamente empatado com Adão Negro (2022) e Viúva Negra (2021), e 1,1x à frente de Thunderbolts (2025). Os números, sem considerar a pré-venda, apontavam para uma abertura de US$ 55 milhões ou mais, mas o ritmo atual indica que a bilheteria deve ficar na casa dos US$ 70 milhões no fim de semana de estreia — podendo chegar aos US$ 80 milhões se o resultado das críticas for muito positivo.
Da parte da DC, o clima é de total tranquilidade em relação à recepção da mídia. Influenciadores, repórteres e críticos começaram a assistir ao filme na quinta-feira (4). É muito raro um blockbuster de super-herói ser exibido para a imprensa com três semanas de antecedência, o que demonstra uma enorme confiança do estúdio no material.
O Deadline publicou uma matéria informando que o orçamento de Supergirl é de US$ 175 milhões e que o filme precisaria arrecadar US$ 315 milhões nas bilheterias para se pagar. Isso causou estranheza nos leitores, que estão acostumados com a velha matemática de que um filme precisa faturar o dobro do seu orçamento para se pagar. Primeiro, essa matemática não é precisa, pois a divisão entre cinemas e estúdios varia de mercado em mercado. Segundo, esse orçamento claramente não está contabilizando o desconto fiscal do Reino Unido, que, para esta produção, chegou perto ou até passou da casa dos US$ 50 milhões.
Só saberemos o valor exato no ano que vem, quando o governo britânico divulgar publicamente o montante de impostos perdoados para a DC — e há um forte motivo para a Warner estar construindo um complexo de estúdios e escritórios para a DC em Londres.
O fato é que não existe uma grande pressão sobre os lançamentos da DC Studios para este ano. O que Supergirl e Cara-de-Barro (2026) renderem será lucro. A pressão real estava sobre Superman (2025), e o filme de James Gunn tirou isso de letra. Vale lembrar que o primeiro filme da DC Studios garantiu a terceira maior arrecadação doméstica de 2025, faturando mais nos EUA do que Michael (2026), que foi um hit absoluto. Superman só não se saiu melhor globalmente porque teve um desempenho muito modesto fora da América do Norte — e Supergirl parece seguir o mesmo rumo, tendo em vista que a pré-venda no Brasil, onde a DC é muito forte, está fraquíssima.
A DC já está preparando duas carretas para o seu portfólio de 2027: uma sequência de Superman — que promete ser quase um protótipo de filme da Liga da Justiça — e a segunda parte da Saga do Crime de Gotham, com o Batman de Matt Reeves. Portanto, seja qual for o resultado de Supergirl, ele não gerará nenhum impacto imediato no trabalho de James Gunn e Peter Safran. Nada de drama.
O elenco de Fogo Contra Fogo 2


A produção de Fogo Contra Fogo 2 começará em setembro. Até o momento, nenhum nome do elenco foi oficialmente anunciado. Embora alguns atores já estejam verbalmente alinhados com o projeto, os detalhes financeiros dos contratos ainda estão sendo negociados. Bem, isso é algo que está sendo resolvido agora.
O que tem se falado nos bastidores é que Leonardo DiCaprio vai interpretar Chris Shiherlis, o icônico personagem de Val Kilmer no longa de 1995. Enquanto isso, Christian Bale estaria apalavrado no papel do detetive Vincent Hanna, originalmente de Al Pacino. Stephen Graham estaria em negociações para viver Neil McCauley — imortalizado por Robert De Niro —, e Jason Clarke também está conversando com Michael Mann, embora ninguém saiba para qual papel (meu palpite é que seja para o de Michael Cheritto, vivido por Tom Sizemore, ou mesmo para Nate, antigo papel de Jon Voight).
A bola da vez nas ruas é que Adam Driver está, mais uma vez, negociando para entrar no elenco, mas agora para o papel de Otis Wardell — o terrível e maníaco vilão que cruzou os caminhos de Hanna e McCauley muito antes dos eventos do primeiro filme. Esse personagem é um verdadeiro animal. Todas as passagens dele no livro que inspira a sequência são de arrepiar a espinha e, se ele for interpretado por um grande ator, tem tudo para se tornar um dos maiores vilões do cinema de ação. Driver tem talento de sobra para entregar essa intensidade. Tomara que o rumor se confirme.
Fogo Contra Fogo 2 se passa em três linhas do tempo diferentes, revelando o passado do bando de Neil McCauley, o que aconteceu logo depois que ele morreu em 1995 e como os personagens estão cinco anos depois, em 2000. Os três períodos são conectados pelos atos do monstruoso Otis Wardell.
Os destaques da semana


- Zack Snyder vai dirigir remake de Fuga de Nova York – O melhor filme de Zack Snyder é um remake de terror de um clássico do George Romero. Será que ele vai repetir a dose? Bem, dessa vez ele não tem James Gunn como roteirista. E Snyder escrevendo — mesmo com o auxílio de Kurt Johnstad (300, Rebel Moon) — não costuma ser um primor. Veremos…
- 2ª temporada de Batman: Cruzado Encapuzado ganha data para chegar ao Prime Video – Finalmente! Com direito a Charada, Coringa e uma Chapeleira Louca, o segundo ano da nova série de Bruce Timm chega em 31 de julho.
- Marvel revela nova formação dos Vingadores – Homem-Aranha, Wolverine, Capitã Marvel, Demolidor, Luke Cage e mais um herói inédito integram a nova formação principal agora. Gostinho de Novos Vingadores do Brian Michael Bendis.
- Primeiro teaser de A Era do Gelo 6 revela personagens da trama – Manny, Ellie, Diego, Sid, Scrat, Buck, Crash e Eddie estão de volta para mais uma aventura. Fevereiro de 2027 nos cinemas.
- Devil May Cry é renovada para a 3ª – Agora é a última!
- Os 7 principais anúncios da State of Play de junho de 2026 – Tudo sobre Marvel’s Wolverine foi maneiro, mas a grande surpresa foi God of War Laufey, que dominou as discussões na comunidade de games. Eu achei muito interessante.
- Henry Cavill se junta a Kevin Hart em comédia de ação da Netflix com diretor de As Panteras – Quem te viu, quem te vê, Henry Cavill. De astro a protagonista de comédia de ação do McG na Netflix.
- A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça: Sydney Sweeney fará reboot – Ela está em todo lugar! Sydney Sweeney vai estar a adaptação do romance inédito Hollow, escrito pela cineasta Lindsey Anderson Beer (Cemitério Maldito: A Origem). A própria Lindsey vai dirigir. Margot Robbie produz.
- Stargate: Série da Amazon é cancelada antes da estreia – A nova série de Stargate estava em estágio avançado de pré-produção, mas a Amazon decidiu tirá-la da tomada cedo. Não havia certeza se existia apelo para o retorno dessa franquia.
- Máquina de Guerra 2 é anunciado oficialmente pela Netflix – O filme massáveio de Alan Ritchson saindo na porrada com robôs alienígenas vai ganhar uma sequência. Não que seja uma surpresa, o original está em 9º no Top-10 filmes mais assistidos da Netflix.
Esta foi a primeira edição da newsletter do O Vício, e espero que seja a primeira de centenas editadas por mim. Antes de ir, certifique-se de seguir o nosso perfil no Google para receber as melhores e mais apuradas notícias da cultura pop em primeira mão. Em breve, teremos uma plataforma para que esse material também chegue ao seu e-mail. Quando isso acontecer, vou pedir a sua inscrição.
Fonte: ovicio.com.br